Algumas histórias não terminam de verdade. Apenas deixam de ocupar um endereço e passam a morar, para sempre, na memória de quem um dia se sentou à mesa. É assim com a tradicional Feijoada do Vavá, uma das páginas afetivas da gastronomia recifense. Nascida em 1959, dentro do Cabanga Iate Clube, a casa construiu uma trajetória que atravessou décadas, famílias e gerações. Desde 1977, instalada na Avenida Jean Emile Favre, no Ipsep, Zona Oeste do Recife, transformou o almoço de tantas famílias em um daqueles momentos que a gente guarda sem perceber: o cheiro chegando à mesa, a panela fumegando e o sabor que parecia contar um pouco da própria história da cidade.
À frente dessa tradição, Dona Edla e seu irmão, Édson Maurício, seguiram os passos do precursor Vavá com amor, carinho e maestria. Foram anos mantendo vivo um tempero que não estava apenas na receita, mas também no cuidado de preparar, servir e receber. Agora, depois de tantos capítulos, a Feijoada do Vavá anuncia uma pausa. O ciclo no Ipsep chega ao fim, mas não sem antes agradecer a todos que fizeram parte dessa caminhada. Em suas próprias palavras, ficam a gratidão pelos almoços compartilhados e pelas lembranças construídas ao redor de cada prato. E talvez essa seja a parte mais bonita da despedida: a casa fecha as portas, mas a história continua aberta na memória de quem viveu esses encontros.
Segundo os proprietários, porém, este não é um adeus definitivo. É apenas um descanso. A ideia é que, em breve, a Feijoada do Vavá volte a encontrar um novo endereço, levando consigo aquilo que realmente nunca mudou: a mesma essência, o mesmo carinho e, claro, a feijoada que conquistou seu lugar entre os sabores mais afetivos do Recife.

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