Há lugares que deixam de ser apenas lugares quando passam a fazer parte da vida de quem os frequenta. E, depois de algum tempo, suas portas guardam mais do que mesas, cadeiras e sabores: guardam encontros, celebrações, conversas demoradas e pequenos pedaços da nossa própria história.
Foi assim que Candeias amanheceu nesta quinta-feira, 3 de setembro: com uma notícia que trouxe um gosto amargo, desses que nenhuma receita consegue disfarçar. Depois de 12 anos, o Hashi Candeias anunciou o encerramento de suas atividades. E, de repente, uma casa conhecida pelos sabores orientais passou a ser também sinônimo de despedida.
Não foi uma decisão simples. As irmãs Érica e Fabiana, que estiveram à frente dessa história, falaram publicamente sobre as dificuldades de continuar. Chega um momento em que o sonho, por mais bonito que seja, começa a cobrar um preço alto demais. E há uma tristeza silenciosa em admitir que se está, como elas próprias disseram, “pagando para trabalhar”.
O Hashi nunca foi apenas um restaurante. Durante 12 anos, construiu uma identidade própria, conquistou milhares de clientes, apareceu na televisão e transformou comida em experiência. Houve o famoso bolo de sushi, os pratos gigantescos, os sabores que surpreendiam e aqueles pedidos que já faziam parte do ritual de muitas famílias e amigos.
Agora, ficam as lembranças. Ficam os aniversários comemorados ali, os encontros marcados sem grande cerimônia, as noites em que alguém simplesmente disse: “Vamos no Hashi?”. Fica a saudade antecipada de um lugar que ainda existe na memória, mesmo quando suas portas já começam a se fechar.
E talvez seja isso que mais doa quando um estabelecimento encerra suas atividades: perceber que não se perde apenas um negócio. Perde-se um ponto de encontro. Um cenário de histórias. Um endereço que, sem saber, fazia parte da rotina e da vida de tanta gente.
O fechamento do Hashi também é um retrato triste de um tempo difícil, em que tantos sonhos empreendedores precisam lutar diariamente para sobreviver a uma economia que, muitas vezes, não tem piedade de quem insiste em continuar.
Hoje, o Hashi Candeias fecha as portas. Mas as irmãs deixaram uma pequena luz acesa no meio dessa despedida: isto pode ser apenas uma pausa. O sonho não morreu. Talvez esteja apenas descansando, esperando o tempo certo para voltar a respirar.
Depois de 12 anos, ficam os sabores, os encontros, as histórias e as memórias.
E fica aquela tristeza que a gente sente quando percebe que alguns lugares também envelhecem conosco, e que, quando partem, levam embora um pedacinho de um tempo que não volta mais.
Por Gabriel Diniz

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