Luto

Morre o apresentador, ator e dublador Roberto Maya

quarta-feira, outubro 28, 2026 · Gabriel Diniz

Há notícias que chegam como um sussurro triste, mas ecoam dentro da gente como se o tempo, de repente, parasse. Nesta terça-feira, 27 de outubro, o mundo da comunicação se despediu de Roberto Maya, ator, dublador e apresentador que ajudou a escrever importantes capítulos da história da televisão brasileira.

E quando alguém assim parte, não é apenas uma vida que se encerra. É também uma parte da nossa memória que desperta, revisitando um tempo que já não volta, mas permanece vivo dentro de nós.

Trajetória

Nascido em Campinas, São Paulo, em 1935, Roberto Maya estudou na Escola de Arte Dramática da USP e iniciou sua trajetória no rádio e na dublagem. Depois vieram o cinema e a televisão. Em 1961, estreou na tela grande com Teus Olhos Castanhos e, ao longo da carreira, participou de novelas nas redes Excelsior, Tupi, Globo e Bandeirantes.

Mas foi no jornalismo que construiu um de seus capítulos mais marcantes. Entre 1989 e 1998, tornou-se a cara e a voz do Documento Especial, programa que marcou época ao revelar histórias, contradições e realidades que nem sempre encontravam espaço na televisão.

Um artista que começou emprestando a voz a personagens encontrou também lugar para dar voz à realidade.

Sua partida nos faz pensar na passagem do tempo e na ausência daqueles que, sem percebermos, se tornam parte da paisagem afetiva de nossas vidas. Os cenários mudam, as telas se modernizam, mas permanecem as lembranças de quem nos acompanhou por tantos anos, mesmo sem nunca ter estado perto de nós.

Roberto Maya foi homem de rádio, cinema, novelas e jornalismo. Um profissional que atravessou décadas e deixou sua marca na comunicação brasileira. Hoje, ao recordá-lo, não lembramos apenas de um artista, mas de uma época inteira, de suas histórias e de vozes que se tornaram familiares em tantos lares.

Talvez a saudade seja isso: descobrir, diante da despedida, o quanto certas presenças significaram em nossa história.

A morte encerra uma trajetória, mas não apaga o que foi construído ao longo dela. Ficam o trabalho, as imagens, os registros e a memória, esse lugar onde o tempo não consegue levar tudo.

Porque, quando as cortinas se fecham e as luzes se apagam, nem tudo termina. Algumas vozes permanecem, atravessam o tempo e encontram morada na saudade.

Por Gabriel Diniz

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