Luto

Morre Dom Alexandre Ximenes, da Igreja Episcopal Carismática do Brasil

sexta-feira, outubro 16, 2026 · Gabriel Diniz

Quando um pastor parte, ficam as sementes da eternidade

Há partidas que parecem contrariar o próprio sentido da vida. Despedidas que deixam um vazio difícil de explicar, como se o mundo perdesse um pouco de sua luz. Nesta sexta-feira, 16 de outubro, aos 77 anos, partiu Dom Alexandre Ximenes, bispo da Igreja Episcopal Carismática do Brasil. Mas há homens cuja história não termina quando o coração silencia: continuam vivos nas sementes que plantaram e nos corações que ajudaram a restaurar.

Trajetória

Nascido em Campina Grande, filho de João Clímaco Xímenes e Luiza Monteiro Xímenes, Alexandre conheceu desde cedo os sinais da fé no testemunho de seu pai. Formou-se em Teologia e Administração, fez mestrado em Teologia nos Estados Unidos e, em 1973, foi ordenado pastor pela Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande. Ao longo de sua trajetória, também atuou na VINDE, ao lado do reverendo Caio Fábio, dedicando sua vida ao ministério pastoral.

Em 2003, chegou ao Recife, recebido pelo então bispo Dom Paulo Garcia. Na capital pernambucana, construiu uma história marcada pelo amor, pelo acolhimento e pela graça inclusiva de Cristo. Na Catedral e, mais recentemente, na Catedral da Reconciliação, tornou-se uma presença importante na vida religiosa do estado, levando palavras de esperança a famílias, jovens e pessoas que buscavam forças para recomeçar.

Em abril de 2007, foi sagrado bispo ao lado de Dom Frederico Bastos, numa cerimônia memorável no Centro de Convenções do Recife, que reuniu bispos de diferentes continentes. Como reitor do Seminário Teológico Episcopal Carismático (SETEC), também contribuiu para a formação de pastores comprometidos com uma fé capaz de curar, acolher e restaurar vidas. Mais recentemente, assumiu a Diocese Zona Sul do Recife e dos estados de Alagoas, instituída em julho.

Por trás das vestes episcopais, havia também o esposo de Carmen Maria Barbieri Nunes Ximenes, companheira de caminhada e bênção em seu ministério, e o pai de quatro filhos. Hoje, a saudade alcança sua família, a Igreja e todos aqueles que encontraram em sua presença uma palavra de conforto, um gesto de carinho ou a força necessária para seguir adiante.

A morte interrompe os encontros, silencia a voz e transforma a presença em lembrança. Restam as fotografias, as orações e aquela dolorosa sensação de que algumas pessoas deveriam ficar um pouco mais, porque ainda havia tanto a aprender com elas.

Mas a fé que Dom Alexandre professou também nos ensina a olhar para além da despedida. Para os que creem, a morte não é a última palavra. É a passagem que entrega à eternidade aquilo que o tempo não consegue guardar.

Porque há homens que passam pela vida. Outros passam pela vida dos homens e deixam nela um pouco de eternidade.

Despedida

O velório e o culto serão realizados na Catedral da Reconciliação, no Recife, em horário a ser divulgado.

Por Gabriel Diniz 

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