Luto

Morre, no Rio, o ator e diretor Gracindo Júnior

quarta-feira, setembro 02, 2026 · Gabriel Diniz

Há artistas que parecem fazer parte da nossa própria história. Gracindo Jr., que morreu aos 83 anos, nesta terça-feira (1º), era um deles.

Foram mais de 50 anos dedicados ao teatro, ao rádio, ao cinema e à televisão. Filho do inesquecível Paulo Gracindo, começou cedo: aos 15 anos, ingressou na Rádio Nacional e, poucos anos depois, estreava no teatro. Em 1965, já fazia parte do primeiro elenco da recém-inaugurada TV Globo.

Ao longo da carreira, participou de novelas que marcaram gerações, como O Bem-Amado, Mandala, O Salvador da Pátria, Rainha da Sucata, Explode Coração e Celebridade. Também brilhou como diretor e ajudou a construir momentos importantes da televisão brasileira.

E talvez tenha sido justamente essa capacidade de atravessar o tempo que fez de Gracindo Jr. um rosto tão familiar para o público. Ele pertenceu a uma geração que ajudou a transformar a televisão em ponto de encontro, quando as famílias se reuniam diante da tela e os personagens passavam a fazer parte das conversas e das lembranças.

Sua trajetória também carregava a beleza de um legado familiar. Ao contracenar com o pai, Paulo Gracindo, levou para a ficção uma relação que já pertencia à vida, unindo duas gerações de grandes artistas e deixando cenas que hoje ganham ainda mais valor diante da passagem inevitável do tempo.

Gracindo Jr. parte deixando cinco filhos, sete netos e a esposa, Daisy Poli, sua companheira de mais de 50 anos.

Despedida

Nesta quinta-feira (3), familiares, amigos e admiradores se despedem do artista no Crematório e Cemitério da Penitência, no Rio de Janeiro.


Mas alguns artistas não se despedem por completo. Permanecem em uma cena reprisada, em uma voz guardada na memória, em uma novela que nos faz voltar no tempo.

Gracindo Jr. sai de cena. Mas continuará vivendo onde os grandes artistas nunca morrem: na memória e no coração de quem cresceu assistindo à sua arte.


Por Gabriel Diniz
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