Há nomes que o tempo não consegue apagar. Permanecem ecoando na memória como antigas canções que insistem em tocar dentro da alma. Assim foi Aldemar Paiva, um dos maiores artistas que o Nordeste ofereceu ao Brasil. Alagoano de nascimento, encontrou em Pernambuco o palco onde seu talento floresceu e ganhou o país. Foi nos estúdios da Rádio Clube, ao substituir Chico Anysio, que escreveu um dos capítulos mais marcantes de su a trajetória. À frente do programa Pernambuco Você é Meu, conquistou o coração dos ouvintes e liderou a audiência, levando mais tarde esse mesmo sucesso para a Rádio Jornal. Sua voz também percorreu as ondas da Rádio Tamandaré, tornando-se companhia inseparável de tantas gerações.
Aldemar era desses artistas raros, que pareciam nascer para todas as formas de arte. Caminhou pelos corredores da TV Tupi e da TV Jornal, brilhou como produtor e ator em programas inesquecíveis da Rede Globo, como Som Brasil, Praça da Alegria e Chico City. Também espalhou seu humor delicado pelas páginas do Diário de Pernambuco, do Diário da Noite e do Jornal do Commercio, deixando palavras que ainda hoje arrancam sorrisos e despertam lembranças.
Mas talvez tenha sido na poesia que sua alma tenha encontrado morada. Poeta, compositor, escritor, ator e cordelista, Aldemar transformava sentimentos em versos e emoções em melodias. Deixou livros, poemas, cordéis e monólogos que continuam vivos na memória cultural do Nordeste. Compôs mais de setenta canções, muitas delas ao lado do maestro Nelson Ferreira. Entre elas está o eterno Frevo da Saudade, que parece ter sido escrito para embalar a própria ausência de seu autor, e também o inesquecível Hino da Copa de 1958, que fez um país inteiro cantar: "A Copa do Mundo é Nossa...". Até hoje, poucos sabem que essa alegria nacional nasceu da inspiração de um nordestino.
Sua literatura também eternizou histórias como O Caso Eu Conto, A Chegada de Nelson Ferreira ao Céu e a sensível crônica natalina Eu Não Gosto de Você, Papai Noel!, obras que revelam sua capacidade de emocionar e divertir com a mesma intensidade.
A amizade com Chico Anysio atravessava muito mais que os bastidores do rádio. Era um elo construído pelo respeito e pela admiração mútua. Não por acaso, Chico eternizou essa homenagem ao criar o personagem Aldemar Vigário, da Escolinha do Professor Raimundo. Antes de conquistar a televisão, foi o próprio Aldemar quem produziu e apresentou o esboço da Escolinha, ainda nos estúdios da Rádio Clube, ajudando a dar vida a um dos maiores fenômenos do humor brasileiro.
Em novembro de 2014, aos 89 anos, Aldemar Paiva despediu-se deste mundo. Mas artistas como ele nunca partem por completo. Permanecem vivos nas ondas invisíveis do rádio, nas páginas amareladas dos jornais, nos acordes de um frevo que resiste ao tempo e na saudade que insiste em visitar quem aprendeu a admirar sua arte. Porque enquanto Pernambuco cantar, sorrir e recordar, haverá sempre um pouco de Aldemar Paiva caminhando entre nós, como uma doce lembrança de um tempo que jamais voltará, mas que jamais será esquecido.

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