Celebrado em 26 de junho, o Dia Nacional do Diabetes chama a atenção para uma doença crônica que afeta milhões de brasileiros e representa um dos maiores desafios para a saúde pública. Muito além do aumento da glicose no sangue, o diabetes pode comprometer a circulação, os nervos, os rins, a visão e outros órgãos essenciais, especialmente quando não é diagnosticado ou tratado de forma adequada.
O diabetes é classificado, principalmente, em dois tipos. O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, na qual o sistema imunológico destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Geralmente diagnosticado na infância, adolescência ou início da vida adulta, exige o uso diário de insulina desde o diagnóstico. Já o diabetes tipo 2, responsável por cerca de 90% dos casos, ocorre quando o organismo passa a utilizar a insulina de maneira ineficiente ou deixa de produzi-la em quantidade suficiente. Esse tipo está frequentemente relacionado ao excesso de peso, sedentarismo, envelhecimento e histórico familiar, embora também possa acometer pessoas jovens.
Dados recentes mostram que a prevalência do diabetes no Brasil cresceu de 6,2% da população em 2013 para cerca de 10,5% atualmente. Além disso, estima-se que aproximadamente 5 milhões de brasileiros convivam com a doença sem saber, tornando o diagnóstico precoce uma das principais ferramentas para evitar complicações e preservar a qualidade de vida.
Entre os problemas mais preocupantes está o comprometimento da circulação sanguínea. O diabetes provoca alterações nos pequenos vasos e pode reduzir o fluxo de sangue para diferentes regiões do corpo, especialmente os membros inferiores. Ao mesmo tempo, a doença compromete os nervos responsáveis pela sensibilidade dos pés, fazendo com que pequenas lesões passem despercebidas. Sem o tratamento adequado, essas feridas podem evoluir para infecções graves e, em situações extremas, levar à amputação.
Os efeitos do diabetes também atingem outros órgãos importantes. A doença figura entre as principais causas de insuficiência renal, que pode exigir tratamento por diálise, além de favorecer o desenvolvimento da retinopatia diabética, uma das maiores responsáveis pela perda da visão e pela cegueira em adultos.
Especialistas alertam que a combinação entre a perda da sensibilidade dos pés e as alterações na visão aumenta significativamente o risco de complicações. Muitas pessoas deixam de perceber pequenos machucados ou demoram a identificar alterações, retardando a busca por atendimento médico e favorecendo o agravamento do quadro.
Apesar dos riscos, a maioria das complicações pode ser evitada com medidas relativamente simples. Manter a glicemia dentro das metas recomendadas, adotar uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso corporal, evitar o tabagismo e realizar acompanhamento médico periódico são atitudes fundamentais para retardar a progressão da doença.
O autocuidado também desempenha papel essencial. A inspeção diária dos pés, observando a presença de cortes, rachaduras, bolhas, alterações na pele ou na sensibilidade, permite identificar precocemente possíveis problemas e iniciar o tratamento antes que ocorram complicações mais graves.
Outro fator importante é o apoio da família. A adoção de hábitos saudáveis torna-se mais fácil quando envolve todos os membros da casa, seja por meio de uma alimentação mais equilibrada, do incentivo à prática de exercícios físicos ou do acompanhamento da rotina de cuidados. Esse suporte contribui para uma maior adesão ao tratamento e melhora significativamente a qualidade de vida das pessoas que convivem com o diabetes.
Neste Dia Nacional do Diabetes, o principal alerta permanece o mesmo: informação, prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado continuam sendo as ferramentas mais eficazes para controlar a doença e reduzir o impacto de uma condição que, embora silenciosa, pode provocar consequências graves quando negligenciada.
Por Gabriel Diniz

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