Uma denúncia recebida pela reportagem revela uma sequência de falhas, contradições e possíveis irregularidades no atendimento do Laboratório A+, colocando em xeque a confiabilidade no armazenamento e na disponibilização de exames de imagem aos pacientes.
O caso envolve uma ultrassonografia realizada em janeiro, na unidade da Ilha do Leite. Dois meses depois, ao tentar acessar o exame da filha, um pai enfrentou um verdadeiro labirinto de informações desencontradas e justificativas inconsistentes.
Na tarde de hoje (24), antes de se dirigir ao local, ele entrou em contato com o call center da empresa. A orientação foi direta: exames de imagem só poderiam ser retirados na unidade onde foram realizados.
Seguindo a recomendação, ele foi até a unidade indicada. No atendimento presencial, iniciou-se um rigoroso processo de validação de identidade. Nome completo, CPF, envio de documento com foto por aplicativo de mensagens e confirmação por código SMS. Todas as etapas foram cumpridas.
Mesmo assim, o acesso ao exame não foi garantido.
Inicialmente, a justificativa apresentada foi a falta de papel fotográfico para impressão das imagens. A solução sugerida pela atendente foi que o cliente procurasse outra unidade, no bairro da Jaqueira, contrariando frontalmente a orientação oficial do próprio call center da empresa.
Diante da inconsistência, um segundo atendente sugeriu a impressão em papel comum. Quando a alternativa parecia resolver o problema, uma nova versão foi apresentada: a imagem do exame não estava disponível no sistema.
A situação se agrava quando a própria funcionária admite que não possui acesso ao sistema interno completo do laboratório, limitando-se ao portal online disponível ao público. O mesmo portal que o cliente já havia acessado previamente, sem sucesso.
"Minha filha, desde o dia em que o laudo ficou pronto, tentou acessar, pelo site, as imagens para levar à sua médica e não conseguiu. Desde então, essas imagens não foram disponibilizadas no prontuário dela, lá, apenas o laudo. O que aconteceu comigo hoje é inadmissível. Não sou leigo. Já trabalhei em hospitais e sei que a resolução 1.638/2002, do Conselho Federal de Medicina, define que exames de imagem e seus respectivos laudos fazem parte do prontuário do paciente, que pertence a ele, e não à instituição de saúde. Eles são obrigados a terem acesso, e disponibilizarem a todo paciente que solicitar", disse o pai da cliente, que prefere não se identificar.
Na prática, o que se revela é um cenário alarmante: uma unidade que realiza exames de imagem, mas que não consegue acessá-los posteriormente.
Sem solução, o pai da cliente foi orientado a retornar no dia seguinte, sob a justificativa de que talvez a técnica responsável pelo exame pudesse ter acesso às imagens. Enquanto isso, recebeu apenas o laudo impresso, documento incompleto para avaliação médica adequada, já que exames de imagem dependem da análise visual para conclusões clínicas mais precisas.
A denúncia levanta suspeitas graves sobre a gestão de dados médicos dentro da unidade. A ausência de acesso às imagens pode indicar falhas no armazenamento, integração de sistemas ou até mesmo no protocolo de arquivamento dos exames realizados.
Também chama atenção a total falta de padronização nas informações prestadas ao cliente. O que é dito pelo call center não se sustenta no atendimento presencial. O que é informado por um atendente é desmentido por outro minutos depois.
Em um setor onde a precisão e a confiabilidade são fundamentais, a sucessão de erros não pode ser tratada como algo pontual.
O episódio expõe uma questão central: onde estão armazenadas as imagens dos exames realizados pelo laboratório e por que o próprio local de origem não consegue acessá-las?
Além do transtorno evidente ao cliente e à família, há um risco direto à continuidade do cuidado médico, já que a ausência das imagens pode comprometer diagnósticos e decisões clínicas.
A reportagem buscou contato com o Laboratório A+ para esclarecimentos sobre o caso, questionando os protocolos de armazenamento, acesso e disponibilização de exames de imagem, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.

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