A literatura pernambucana amanheceu mais silenciosa nesta terça-feira (16). Aos 78 anos, partiu o escritor e jornalista Raimundo Carrero, vítima de um câncer, deixando uma ausência profunda nas letras brasileiras e um vazio impossível de ser preenchido na cultura de Pernambuco.
A notícia da morte foi confirmada pela família, que lembrou a dedicação de Carrero à literatura com paixão, sensibilidade e um compromisso incansável com a arte da palavra. Sua escrita atravessou décadas, emocionou gerações de leitores e transformou dores, memórias e inquietações humanas em obras que permanecerão eternas.
Trajetória
Nascido em Salgueiro, no coração do sertão pernambucano, em dezembro de 1947, Raimundo Carrero construiu uma trajetória rara. Foi jornalista por 25 anos no Diario de Pernambuco, onde atuou como crítico literário e editor nacional, levando sua visão aguçada também ao rádio e à televisão.
Ao lado de Ariano Suassuna, integrou o Movimento Armorial, ajudando a preservar e exaltar a essência da cultura nordestina. Também presidiu a Fundarpe e ocupou uma cadeira na Academia Pernambucana de Letras, consolidando seu nome entre os grandes intelectuais do estado.
Premiado dentro e fora do país, recebeu importantes reconhecimentos como o Jabuti, o Prêmio São Paulo, a APCA e o Machado de Assis. Seus livros, traduzidos para diversos idiomas, como "Somos pedras que se consomem", "As sóbrias ruínas da alma", "Sombra severa" e "O delicado abismo da loucura", seguem como testemunhos de uma mente inquieta e de um escritor que soube mergulhar nos mistérios da alma humana.
Carrero também entrou para o imaginário popular ao criar, em 1976, a lendária Perna Cabeluda, figura que atravessou gerações e se tornou um dos símbolos mais curiosos do Recife, reaparecendo décadas depois no filme "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho.
Hoje, as páginas de seus livros permanecem abertas, mas a mão que as escreveu descansa. Vai-se Raimundo Carrero, o homem, o jornalista, o mestre das palavras. Fica sua voz impressa no papel, ecoando para sempre na memória de Pernambuco e do Brasil.
Despedida
Informações sobre velório e sepultamento serão repassadas em "momento oportuno", segundo a assessoria de comunicação do escritor.
Por Gabriel Diniz



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