Na tarde em que a notícia da morte se espalhou, ficou mais silencioso um pedaço da história religiosa e social do Jardim Jordão. Morreu, ontem (13), Dom Geraldo Magela do Nascimento, conhecido por décadas como Padre Magela, Bispo Emérito da Diocese de Jaboatão dos Guararapes da Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB).
Nascido em 27 de setembro de 1934, Geraldo Magela dedicou a vida à religião, à educação e às causas sociais. Professor e sacerdote, tornou-se uma presença marcante entre as comunidades do Jordão e do Jardim Jordão, onde sua trajetória se confundiu com a memória de gerações.
Agora, com sua partida, ficam os templos, as ruas e as lembranças de uma época que parece se afastar lentamente.
Biografia
A história de Padre Magela não foi construída apenas dentro das igrejas. Durante os anos de ditadura militar brasileira, quando a perseguição política fazia parte do cotidiano de milhares de brasileiros, sua convicção social o levou a tomar posição.
Segundo declaração registrada no acervo do DHnet, Magela acolheu militantes políticos que viviam na clandestinidade e colaborou com advogados ligados à defesa de direitos humanos. A atitude de solidariedade o colocou também sob a mira da repressão.
Ele acabou preso, algemado e conduzido à Delegacia Auxiliar da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco, onde sofreu violência e tortura. Posteriormente, sua condição de ex-preso político e anistiado foi reconhecida oficialmente pelo Estado brasileiro.
Sua caminhada religiosa prosseguiu mesmo depois dos anos difíceis. Na Igreja Católica Apostólica Brasileira, consolidou sua liderança e foi Sagrado Bispo em 15 de agosto de 1982.
À frente de sua missão episcopal, manteve uma atuação próxima das comunidades de Pernambuco, especialmente nos bairros do Jordão e Jardim Jordão. Sua presença pastoral esteve associada também a ações sociais e ao cotidiano de populações que conviviam com dificuldades econômicas e ausência de oportunidades.
Mais tarde, ao deixar as funções administrativas em razão da idade, passou à condição de Bispo Emérito da Diocese de Jaboatão dos Guararapes.
O título, porém, pouco dizia sobre a relação construída ao longo de décadas com o povo.
Para muitos, continuava sendo simplesmente Magela.
O padre. O professor. O homem que esteve presente.
O Jardim Jordão perde uma de suas memórias
Talvez nenhuma homenagem consiga medir a dimensão de uma pessoa para uma comunidade.
Porque a importância de alguém não está apenas nos documentos oficiais, nas fotografias ou nos cargos que ocupou. Está também na lembrança de quem o viu chegar, falar, ensinar, celebrar e caminhar pelas mesmas ruas.
No Jardim Jordão, Padre Magela pertence a essa memória afetiva.
Sua história acompanha parte da própria história do bairro. Uma história feita de fé, dificuldades, lutas sociais, encontros e esperanças quase sempre adiadas.
Por isso, sua morte não representa apenas a partida de um religioso.
Representa também o desaparecimento de uma testemunha de seu tempo.
Um homem que viveu a ditadura, conheceu a repressão, enfrentou a prisão e depois continuou sua missão junto às comunidades.
Despedida
O velório acontece desde a noite de ontem (13) na Matriz Imaculada Conceição, no bairro do Jardim Jordão, Av. Gonçalves Dias, S/N, Jaboatão dos Guararapes – PE. Neste sábado (15), às 15h30, o corpo sairá em cortejo até o Cemitério Memorial Guararapes, Rodovia BR-101, Km 79,3 no mesmo bairro, onde, às 17h30, ocorrerá o sepultamento.
Na tarde em que a notícia da morte se espalhou, ficou mais silencioso um pedaço da história religiosa e social do Jardim Jordão. Morreu, ontem (13), Dom Geraldo Magela do Nascimento, conhecido por décadas como Padre Magela, Bispo Emérito da Diocese de Jaboatão dos Guararapes da Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB).
Nascido em 27 de setembro de 1934, Geraldo Magela dedicou a vida à religião, à educação e às causas sociais. Professor e sacerdote, tornou-se uma presença marcante entre as comunidades do Jordão e do Jardim Jordão, onde sua trajetória se confundiu com a memória de gerações.
Agora, com sua partida, ficam os templos, as ruas e as lembranças de uma época que parece se afastar lentamente.
Uma vida atravessada pela história
A história de Padre Magela não foi construída apenas dentro das igrejas. Durante os anos de ditadura militar brasileira, quando a perseguição política fazia parte do cotidiano de milhares de brasileiros, sua convicção social o levou a tomar posição.
Segundo declaração registrada no acervo do DHnet, Magela acolheu militantes políticos que viviam na clandestinidade e colaborou com advogados ligados à defesa de direitos humanos. A atitude de solidariedade o colocou também sob a mira da repressão.
Ele acabou preso, algemado e conduzido à Delegacia Auxiliar da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco, onde sofreu violência e tortura. Posteriormente, sua condição de ex-preso político e anistiado foi reconhecida oficialmente pelo Estado brasileiro.
Biografia
Sua caminhada religiosa prosseguiu mesmo depois dos anos difíceis. Na Igreja Católica Apostólica Brasileira, consolidou sua liderança e foi Sagrado Bispo em 15 de agosto de 1982.
À frente de sua missão episcopal, manteve uma atuação próxima das comunidades de Pernambuco, especialmente nos bairros do Jordão e Jardim Jordão. Sua presença pastoral esteve associada também a ações sociais e ao cotidiano de populações que conviviam com dificuldades econômicas e ausência de oportunidades.
Mais tarde, ao deixar as funções administrativas em razão da idade, passou à condição de Bispo Emérito da Diocese de Jaboatão dos Guararapes.
O título, porém, pouco dizia sobre a relação construída ao longo de décadas com o povo.
Para muitos, continuava sendo simplesmente Magela.
O padre. O professor. O homem que esteve presente.
O Jardim Jordão perde uma de suas memórias
Talvez nenhuma homenagem consiga medir a dimensão de uma pessoa para uma comunidade.
Porque a importância de alguém não está apenas nos documentos oficiais, nas fotografias ou nos cargos que ocupou. Está também na lembrança de quem o viu chegar, falar, ensinar, celebrar e caminhar pelas mesmas ruas.
No Jardim Jordão, Padre Magela pertence a essa memória afetiva.
Sua história acompanha parte da própria história do bairro. Uma história feita de fé, dificuldades, lutas sociais, encontros e esperanças quase sempre adiadas.
Por isso, sua morte não representa apenas a partida de um religioso.
Representa também o desaparecimento de uma testemunha de seu tempo.
Um homem que viveu a ditadura, conheceu a repressão, enfrentou a prisão e depois continuou sua missão junto às comunidades.
Despedida

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