O palco silenciou um pouco mais neste domingo (12). Aos 87 anos, Rui Rezende despediu-se da vida, mas permaneceu onde os grandes artistas jamais partem: na memória de quem aprendeu a rir, chorar e sonhar diante de seus personagens.
Morador do Retiro dos Artistas desde 2019, encerrou sua última cena após dias de internação no Hospital São Francisco na Providência de Deus, no Rio de Janeiro.
A causa da morte não foi divulgada, como se o destino preferisse deixar que apenas sua arte falasse por ele.
Durante mais de cinco décadas, Rui fez da interpretação uma extensão da própria alma. Caminhou pelos palcos, atravessou as telas do cinema e entrou nos lares brasileiros pela televisão, transformando personagens em lembranças eternas.
Foi o inesquecível professor Astromar Junqueira, que escondia um lobisomem sob a pele em Roque Santeiro, e também deu vida ao marcante Bob Lamb em A História de Ana Raio e Zé Trovão. Cada papel carregava um pouco de sua sensibilidade, como se deixasse fragmentos de si espalhados em cada cena.
Trajetória
Nascido José Pereira Rezende Filho, em Araguari, Minas Gerais, em 18 de novembro de 1938, escolheu o nome Rui Rezende para assinar uma trajetória que agora pertence à história da dramaturgia brasileira.
Em sua despedida, o Retiro dos Artistas resumiu o sentimento de todos que acompanharam sua caminhada: "sua dedicação à arte fez nascer personagens que continuarão vivos muito além da cortina que hoje se fecha. Porque atores como Rui não desaparecem; apenas trocam o aplauso dos teatros pelo eterno reconhecimento da memória".

0 Comentários
Poste o seu comentário: