O câncer impõe uma das travessias mais difíceis da experiência humana. Ele traz dor física, desgaste emocional, medo constante e uma rotina exaustiva marcada por exames, longas esperas e tratamentos agressivos. Cada etapa exige força, paciência e, sobretudo, dignidade. Para quem vive essa realidade, gestos simples de cuidado fazem toda a diferença, assim como a ausência deles aprofunda ainda mais o sofrimento.
É nesse cenário de extrema fragilidade que se encontram os pacientes oncológicos atendidos pelo IMIP. No terceiro andar do edifício geral da instituição, a recepção do setor de oncologia tem sido alvo de queixas e indignação. O espaço destinado à espera para triagem e consulta funciona sem ar-condicionado, contando apenas com ventiladores de teto que não conseguem amenizar o calor intenso de um ambiente fechado e sem janelas.
Um paciente de 76 anos, vindo do interior do estado e que preferiu não se identificar, relata a situação com indignação e cansaço: “A maioria das pessoas que está aqui é humilde e já chega debilitada pelo tratamento. Muitos, como eu, vêm de outras cidades, enfrentando viagens longas e cansativas. Quando chegamos, em vez de alívio, encontramos um local abafado, onde o calor aumenta o enjoo, a tontura e o mal-estar. Os únicos ambientes com ar-condicionado são os consultórios”, desabafou.
O tempo de espera, que por si só já carrega ansiedade e angústia, torna-se ainda mais penoso nessas condições. O ar pesado, o suor constante e a ausência de circulação adequada transformam a recepção em mais um obstáculo para quem já luta diariamente pela própria vida. Para pacientes fragilizados, o calor deixa de ser apenas um incômodo e passa a representar sofrimento real.
Para a paciente M.L., de 61 anos, moradora de Olinda, o problema vai além da temperatura. “Não se trata de conforto supérfluo, mas de respeito. Um ar-condicionado, nesse ambiente, é uma necessidade básica de cuidado e humanidade. Isso precisa estar alinhado à missão de uma instituição reconhecida por atender a população mais vulnerável”, afirmou.
Além do calor excessivo, pacientes e acompanhantes também reclamam da falta de papel higiênico nos banheiros. Josefa Lima, acompanhante de uma paciente oncológica, classifica a situação como inadmissível. “Toda vez que vimos aqui, precisamos trazer papel de casa. Será que algo tão simples precisa ser constrangedor? Tenho certeza de que nos banheiros dos médicos e funcionários isso não falta”, protestou.
Diante de tanto desgaste físico e emocional, surge entre pacientes e acompanhantes uma reflexão inevitável: pequenas mudanças poderiam tornar essa espera menos dolorosa. A adoção de medidas simples, como a climatização adequada da recepção da oncologia e a garantia de itens básicos nos sanitários, ajudaria a reduzir o sofrimento de quem já enfrenta uma batalha tão dura. Criar um ambiente mais digno e acolhedor não elimina a dor do câncer, mas pode aliviar um peso desnecessário para aqueles que chegam ao IMIP em busca de cuidado, alívio e esperança.
Por Gabriel Diniz

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