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Vinte e quatro anos sem Renato Russo


"Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar". Isso porque era 11 de outubro, o dia da morte de Renato Russo. Já são 24 anos sem o Trovador Solitário, mais de duas décadas sem a voz que entoava a razão das coisas feitas pelo coração.

Vítima de complicações causadas pelo HIV aos 36 anos, o cantor nunca mais pôde contar a história de amor entre Eduardo e Mônica, muito menos indignar o país com a triste trajetória do tal João de Santo Cristo. Era o fim de toda uma era.

Mesmo assim, lançadas suas cinzas no Sítio Roberto Burle Marx, Renato continuou emocionando gerações com questionamentos que poucas pessoas conseguiram colocar no papel. Que país é esse, afinal, sem o vocalista da Legião Urbana?

Viagens de um adolescente

Filho de um economista e de uma professora de inglês, Renato Manfredini Júnior nasceu em março de 1960, no Rio de Janeiro. Descendente de italianos e nordestinos, ele sempre mostrou interesse pelas artes e era um ótimo escritor.

Na escola, produzia redações de cair o queixo e, aos seis anos, mudou-se para Nova York junto com os pais. Em 1975, já de volta ao Brasil, o jovem de 15 anos enfrentou uma intensa fase de sua vida ao descobrir-se portador de uma doença óssea.

Com três pinos na bacia, Renato passou por toda a recuperação escutando sua enorme coleção de discos. Ao mesmo tempo, prestou vestibular para jornalismo e, assim, passou a estudar no Centro de Ensino Universitário de Brasília.

Contatos dignos de um artista

Aos 17 anos, Renato teve a oportunidade de conhecer o príncipe Charles, que visitava a nova sede da Cultura Inglesa no Brasil. No ano seguinte, revelou para a mãe que era bissexual e, com um inglês impecável, tornou-se professor da língua.

Naquele mesmo ano de 1978, conheceu Fê Lemos, com quem fundou a banda de punk Aborto Elétrico. Famoso por composições como "Que país é esse?" e "Veraneio Vascaína", o grupo acabou se separando, mesmo que estivessem no auge.

Foi assim que o Trovador Solitário lançou-se no mercado, acompanhado apenas por um violão de doze cordas. Mesmo assim, não demorou até que, ao lado de Marcelo Bonfá, Dado Villa-Lobos e Renato Rocha, ele formasse a icônica Legião Urbana.

Deus proclamado

Embora não gostasse muito de sua glorificação, Renato Russo logo começou a ser tratado como um deus por seus fãs mais fervorosos. Como líder da banda, o cantor finalmente atingiu o ápice de sua carreira e conquistou o país.

Inspirando-se nos nomes mais clássicos do pós-punk, o compositor usava suas frustrações para escrever algumas das letras mais famosas da Legião Urbana. Tendo enfrentado a Ditadura Militar, ele usava a música para se expressar.

Com ele, o Brasil aprendeu que é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, já que nada é fácil de entender. Ainda mais, gerações passaram a se questionar: “Será que é tudo isso em vão? Será que vamos conseguir vencer?”

Brasil fora dos trilhos

Às 1h15 da madrugada do dia 11 de outubro de 1996, contudo, todas as lições ficaram suspensas quando a notícia da morte de Renato Russo se espalhou pelo país. Diagnosticado com AIDS, ele deixou, além de uma legião de fãs, um filho de 7 anos.

Apenas onze dias depois, embora tivessem vendido mais de 20 milhões de discos, Legião Urbana anunciou seu fim. As músicas continuaram a fazer parte da trilha sonora do país, mas as letras pareciam melancólicas sem Renato para cantá-las.

Tendo adotado “Russo” em nome de Bertrand Russell, Jean-Jacques Rousseau e Henri Rousseau, o cantor marcou a história da música brasileira. Em diversos momentos de sua carreira, ele foi um grito de esperança para toda essa gente que só faz sofrer.

Por Pamela Malva

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