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Oftalmologia perde Dr. Roberto Galvão


Morreu nesta quinta-feira (15) o médico-oftalmologista Roberto Galvão, uma das referências da oftalmologia em Pernambuco. 

O oftalmo fundou, ao lado dos colegas Afonso Medeiros e Durval Valença, o Instituto de Olhos do Recife, o IOR, uma instituição que tem 68 anos de funcionamento com mais de 200 colaboradores e 40 médicos, atendendo nove mil pacientes por mês. 

TRAJETÓRIA

A caminhada dos Galvão na Medicina começou com o pai, Paulo Acácio, médico generalista com olhar reluzente sobre a Oftalmologia, fundador e presidente da Sociedade de Medicina de Campina Grande, na Paraíba, homem culto que lia Machado de Assis e Marcel Proust e passou para os filhos o gosto pela cultura.

Roberto veio para a capital pernambucana seguindo o caminho bem-sucedido do irmão Paulo Gustavo, que se formou em Medicina no ano anterior à entrada de Roberto Galvão na Faculdade de Medicina do Recife, em 1960. Paulo conseguiu uma oportunidade e foi trabalhar com o médico mineiro Hilton Rocha, na época o maior oftalmologista do País, que dirigia a Clínica Oftalmológica da Universidade Federal de Minas Gerais – Hospital São Geraldo, em Belo Horizonte.

Durante o curso no Recife, na disciplina de Oftalmologia no serviço do professor Clóvis Paiva, Roberto Galvão fez amizade com doutor Afonso Medeiros, médico já formado e dez anos mais velho, que também havia estudado com o mestre mineiro. Formado, doutor Roberto seguiu novamente os passos do irmão e foi para BH, onde passou dois anos estudando e praticando a Oftalmologia e três meses fazendo Bioestatística. Ao fim desse ciclo, foi convidado por Hilton Rocha para permanecer na capital mineira, porém decidiu voltar porque desejava trabalhar com o pai em Campina Grande, no que foi desestimulado pelo próprio doutor Paulo Acácio, que enxergou um futuro que o filho ainda não visualizava.

No Recife, o reencontro com Afonso Medeiros deu margem ao surgimento do IOR, em 1968. A oportunidade era visível porque não existia na cidade um serviço ultraespecializado em Oftalmologia, dividido em departamentos por subespecialidades como glaucoma, estrabismo e retina. Roberto e Afonso convidaram para a sociedade o colega doutor Durval Valença, outro membro egresso da escola de Hilton Rocha, e, juntos, montaram a sede na Avenida Visconde de Suassuna, 505. Assim nascia o Instituto de Olhos do Recife. Em paralelo, os três continuavam a atuar na Universidade, no serviço de Oftalmologia do doutor Clóvis Paiva. Doutor Roberto Galvão também era plantonista do Hospital do Pronto-Socorro (atual Hospital da Restauração), onde posteriormente assumiu a chefia do serviço e a exerceu por sete anos.

Desde o início, o foco do IOR estava no paciente particular, clínico e cirúrgico, embora as cirurgias fossem abrigadas naquele momento em outros serviços, como o Hospital da Brigada Militar, a Clínica Altino Ventura e o Hospital Albert Sabin. Em outubro de 1974, o IOR passou a funcionar em sede própria, no bairro do Espinheiro, onde está hoje, numa casa comprada, à época, ao empresário Fred Dubeux, pai dos irmãos Moura Dubeux, que assinam as obras da megaconstrutora. Cinco anos após, o trio incorporou à sociedade a doutora Alzira Lins, que fora estagiária de doutor Roberto no Hospital da Restauração. Alzira havia se especializado em lentes de contato e chegava para cobrir a lacuna deixada pelo reputado médico Saulo Gorenstein.

A casa adquirida pelo IOR oferecia uma longa perspectiva de expansão, a primeira materializada em 1980, com a inauguração do auditório, realizada com cursos ministrados pelo mestre Hilton Rocha. Esta iniciativa mostrou-se fundamental na assimilação da marca porque aproximou a classe médica do Estado, em particular os oftalmologistas, o que legou a construção de relacionamentos, a troca de conhecimentos e reputação para o IOR.

Em 1991, uma nova expansão com recursos próprios deu vez ao hospital, concluído e inaugurado dois anos depois. A consequência direta deste passo foi a decisão de investir em equipamentos de alta tecnologia, que na época não eram encontrados em outros serviços nem eram rentáveis para quem analisasse esse movimento como um investimento. Entretanto, a oferta de alta tecnologia angariou clientela, produzindo pressão sobre os convênios para trabalharem com o IOR, que até então contava oito médicos e não se voltava à Medicina de massa.

A condição de conveniado fez o IOR aumentar o volume de pacientes. Desafios como manter o padrão tecnológico para o atendimento em escala, preparar os colaboradores para o aumento substancial de pacientes e abrir o quadro médico para oftalmologistas de diferentes escolas (portanto sem a influência do mestre mineiro) foram enfrentados. Com o passar dos anos, os sócios-fundadores também enxergaram a necessidade de ter um administrador profissional, encerrando o revezamento gerencial que faziam e que durou três décadas. Foi contratado, por indicação de Durval Valença, o engenheiro Ageleu Coutinho que, cumpre a função até os dias atuais.

Há cerca de uma década, os fundadores decidiram profissionalizar a sucessão e convidaram a TGI Consultoria para apoiar o objetivo. Hoje o modelo de gestão contempla um Conselho, integrado pelos fundadores, e um Comitê, cujos membros são Ageleu Coutinho e os oftalmologistas Afonso Medeiros Neto, Durval Valença Filho, João Pessoa e Nara Galvão.

Durante este período a marca estabeleceu um apêndice no bairro de Boa Viagem, nas instalações do Alfa, respeitando as limitações de mobilidade que atingiram o Recife. Na sede do bairro do Espinheiro adquiriram, nesse meio tempo, três terrenos que funcionam como estacionamento mas que no futuro deverão dar lugar a um novo hospital, com edifício-garagem. O IOR também investiu no aprimoramento de sua relação com a comunidade e criou a Ação Visual, uma organização beneficente liderada pelos sócios e cujo objetivo é prover atendimento aos segurados do SUS e preparar residentes para atuação clínica e cirúrgica.

CERIMÔNIA DE ADEUS

Ainda não temos informações sobre velório e sepultamento.

Com informações da Negócios PE

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