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Morre o artista plástico Francisco Brennand


Morreu na manhã de hoje (19) o artista plástico Francisco Brennand. Ele estava internado há alguns dias no Real Hospital Português, na Ilha do Leite, Região Central do Recife, para tratar de uma pneumonia aguda.

Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand nasceu em 11 de junho de 1927, no Recife. Conhecido como o Mestre dos Sonhos, em 1971 começou a reconstruir a velha Cerâmica São João da Várzea, fundada pelo seu pai no ano de 1917.



A cerâmica se encontrava em ruínas, mas ele deu início a um projeto colossal, com esculturas de cerâmicas qe povoariam a área interna e externa do local.

BIOGRAFIA

A história da família Brennand no Brasil tem início no ano de 1820, com a chegada de Edward Brennand, originário de Manchester, Inglaterra, para trabalhar em uma empresa inglesa ligada à ferrovia. Edward acabaria por se fixar em Maceió, casando-se com Francisca de Paula Moura.

Um dos filhos do casal, Ricardo Moura Brennand, casa-se com Maria Vinifrida Monteiro. Desta união, nasceu Ricardo Monteiro Brennand, que, por sua vez, viria a se casar com Dona Francisca de Paula Cavalcanti de Albuquerque Lacerda de Almeida Brennand. Em 1897 nasce, no Recife, o filho do casal, Ricardo de Almeida Brennand.

Em 1917, Ricardo cria a primeira fábrica de cerâmicas da família - a Cerâmica São João - nas terras do antigo Engenho São João da Várzea, no Recife, herança recebida de D. Maria da Conceição do Rego Barros Lacerda, uma prima de sua mãe.



Francisco Brennand, segundo filho de Ricardo de Almeida Brennand e Olímpia Padilha Nunes Coimbra, nasceu nas terras do antigo Engenho São João.

Durante o ensino médio,após conhecer o trabalho do escultor Abelardo da Hora, Francisco Brennand desenvolve seu interesse pelo desenho e pela literatura. No mesmo período conhece Débora de Moura Vasconcelos, sua futura esposa, e Ariano Suassuna, seu colega de classe, com quem produzia um jornal literário, encarregando-se de realizar as ilustrações para os textos e poemas de Ariano.




Inicialmente, Brennand acreditava ser a cerâmica uma arte utilitária, menor, e por isso dedicou-se sobretudo à pintura a óleo. Entretanto, ao chegar à França, em 1948, deparou-se com uma exposição de cerâmicas de Picasso, e descobre que muitos dos artistas da Escola de Paris haviam passado pela cerâmica: além de Picasso, Chagall, Matisse, Braque, Gauguin, e sobretudo o catalão Joan Miró.


Já no início da década de 1950, de passagem por Barcelona, Brennand descobre Antoni Gaudí, cujas obras — com suas formas sinuosas e o uso do trencadís, tradicional técnica catalã — causam-lhe forte impressão. Após o seu primeiro período na Europa (1948–1951), Brennand retorna ao Brasil mas, logo em 1952, decide aprofundar-se no conhecimento das técnicas da cerâmica, iniciando estágio em uma fábrica de majólicas na cidade de Deruta, na província de Perúgia, Itália. Durante esse estágio, Brennand inicia suas experiências com o uso de esmaltes cerâmicos e queimas sucessivas da peça, em temperaturas variadas. A cada entrada da peça no forno, é aplicada uma camada diferente de esmalte, o que dá à superfície uma grande variedade de cores e texturas.

Na década de 1970, Brennand participa do Movimento Armorial, juntamente com Ariano Suassuna, seu principal idealizador.




No seu ateliê, instalado nas terras do antigo Engenho (depois Cerâmica) São João, no bairro da Várzea, no Recife, estão expostas muitas de suas obras, parte delas dispostas a céu aberto, em um grande jardim central.

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