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BLOG DO GABRIEL DINIZ • 18 ANOS

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Label: Memória

 


Mulher negra, da Zona da Mata Norte de Pernambuco... Sobrevivente. Adjetivos que ajudam a descrever Dona Maria José, mas não em sua completude. O ser rubro-negra, sim.

Dona Maria José, se estivesse viva, estaria completando 100 anos de idade, nesta quinta-feira (23).

Ela faleceu no dia 10 de Setembro de 2023, aos 98 anos de idade, por complicações de um câncer.


"Símbolo de orgulho, resistência e força".

A última vez que apareceu publicamente na Ilha do Retiro ocorreu em janeiro de 2023. Naquela ocasião, Dona Maria reencontrou o estádio depois de dois anos desde o início da pandemia de Covid-19. Ali, revelou ansiedade para voltar a ter seus encontros constantes com o clube, e disse: "Deixar o Sport? Só quando morrer."

A casa é (e sempre será) sua, Dona Maria José.

BIOGRAFIA

"Todo mundo que me vê assim hoje, sorrindo, alegre… Não sabe o quanto eu sofri. Mas hoje estou aqui. Não desisti nunca”. O discurso forte, por vezes, contrasta com o olhar distante. Pensativo. Mas dona Maria José de Oliveira sabe que construiu a casca de quem é inabalável. Ao tempo e às dificuldades da vida - contra quem, desde cedo, batalhou incansavelmente para sobreviver. Uma história, no entanto, que ninguém ouviu. Ofuscada, durante muito tempo, pelo próprio brilho. Por uma personagem. Porque Dona Maria José é reverenciada em Pernambuco não por sua trajetória de vida, mas por ser uma torcedora ícone do Sport. 

Nascida no município de Nazaré da Mata, Zona da Mata Norte de Pernambuco, a torcedora do Sport não gozou do luxo de viver cada uma das etapas naturais da vida. De criança a mulher adulta. Vinda de família pobre e filha única de José Joaquim, lavrador de cana-de-açúcar, Dona Maria teve que tomar as rédeas da própria vida desde muito cedo. Abandonada pela mãe após seu nascimento, Dona Maria passou a  morar com o pai ao lado da madrasta. A ausência da figura materna, nunca conhecida por Dona Maria, também não foi suprida pela madrasta.

Sem alternativa, Dona Maria foi embora. Mas qual caminho seguir? A resposta veio rápido: Carpina. Todos os domingos à tarde, trens da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA) faziam o trajeto que ligava Recife até o município da Mata Norte de Pernambuco. Caminho feito pelo próprio pai e Dona Maria, quando, aos finais de semana, iam fazer feira. E foi a partir de uma carona na estação Ferroviária de Carpina, que Dona Maria tentou recomeçar a vida sozinha. 

O RECOMEÇO

Recém-chegada em Carpina, Dona Maria foi adotada por Dona Chana, uma senhora que vendia almoços no centro do município. As duas já se conheciam por conta das idas e vindas do seu pai, José Joaquim, aos domingos, para fazer feira na cidade. Foi a vendedora de quentinhas a primeira a ser procurada pela torcedora do Sport, que pedia um teto para morar. A comerciante aceitou o pedido. O ‘sim’, no entanto, marcou o início de um pesadelo que durou 27 anos. Morando com a comerciante, Dona Maria assumiu outro papel: o de empregada doméstica.

“Não tive direito a nada, só a trabalhar. Como eu era preta e ela tinha uma filha, Nininha, bem alva, de cabelo bonito, ela cuidava mais da filha e não cuidava de mim. Eu só existia para trabalhar e a filha dela não fazia nada. Durante os 20 anos que passei lá, desde que cheguei com sete anos de idade, só fiz lavar prato, casa. Eu saía carregando comida de Carpina até Tracunhaém para levar almoço para o genro de dona Chana. Todo dia, no sol quente”, relembrava.


Nesse instante, Dona Maria parava a conversa. “Mas, minha filha, foi lá que eu comecei a perceber que precisava tomar outro rumo”, prossegue. Ela lembrava que recebeu uma proposta tentadora: construir uma casa e dividí-la uma com a filha de Dona Chana. “E quem não quer ter uma casa? Eu fiquei doidinha para ter uma casa. Eu me danei a bater tijolo, puxar água naquelas cacimbas. Eu batia barro também para botar nas grades. Fiz tudo sozinha. Quando a casa estava pronta, perguntei: ela é minha e de Nininha, não é? Dona Chana disse: não, é só de Nininha. Aquilo ali me deu uma revolta tão grande no mundo, tão grande... Foi por isso que saí de Carpina”, detalhou, à época.

COMEÇAR DE NOVO

Com 27 anos, Dona Maria novamente procurava um lugar para reconstruir a vida. Sem perceber, a grande paixão da vida começava a se desenhar. “Eu sempre gostei de futebol, de esportes. E eu ouvia minhas amigas de Carpina falando que no Recife tinha um time de futebol rico, o Sport. Aí eu fiquei empolgada porque queria conhecer esse time de qualquer jeito, não sei o porquê. Vim para Recifetambém por conta disso”, explicou.

Como uma retirante, Dona Maria chegou à capital pernambucana em 1959 levando consigo apenas um “mulambinho” de roupa nas costas. À procura de uma nova chance. Mas não tardou para a solução chegar.  "Um senhor, com quem eu estava conversando na rua e pedindo uma casa para morar, conhecia seu Sarubbi, um italiano muito famoso aqui no Recife, dono de uma Alfaiataria no Pátio do Santa Cruz. Ele foi falar com seu Sarubbi e disse: ‘olhe, seu Sarubbi, tem uma ‘moreninha’ de Carpina que não tem para onde ir. Você quer ficar com ela até ela arrumar um canto? Aí ele disse: quero. Aí pronto, fiquei lá”, lembrou. 

A casa do italiano foi o lar de Dona Maria por quase 40 anos, mesmo quando conheceu e esteve casada por 30 anos com João Assis de Oliveira, seu marido. Na casa dos Sarubbi, Dona Maria trabalhou como babá e criou os três filhos do casal. “Eu vi nascer, tirei do carro, botei no colo... Criei eles como meus filhos. Todo mundo gostava muito de mim e me tratava bem”, revelou. Aos domingos, a família tinha um compromisso inadiável: ir à praia de Pau Amarelo. “Parecia que era uma praga… Eles iam para Pau Amarelo, e aí batia com o dia do jogo do Sport. Eu ia para cuidar dos meninos, mas chorava demais. Eu chegava atrasada para o jogo, mas eu vinha”, confessou.

A NOVA FAMÍLIA

Dona Maria nunca saiu da vida dos italianos. E vice-versa. Seu Sarubbi e a esposa Maíse faleceram, restando da família apenas os filhos Silvana e Paulo. São eles que, em retribuição ao carinho dado por Dona Maria na infância, cuidaram dela até hoje. Por ironia do destino, torcem pelo Náutico. Mas Dona Maria não se atinha à rivalidade, e brincava: “É o jeito. Ninguém é perfeito". Apesar da idade avançada, Dona Maria não parou no tempo. Continuou com personalidade forte, independente. Há três anos, escolheu viver distante dos filhos de criação e morousozinha em um condomínio de propriedade da família Sarubbi, em Afogados. “Todo dia eles (Silvana e Paulo) ligam, me levam para médico, para passear. Cuidam de mim”, explicou. 

E é dentro do seu ‘cantinho’ que Dona Maria fez o que quis. O cronograma estava na ponta da língua. Todos os dias, levantava da cama às seis da manhã, tomava café, varria a casa, cozinhava e lavava os pratos. E ainda tinha disposição de sobra para fazer uma das coisas que mais gostava: pular corda. “Eu pulo corda aqui dentro de casa porque lá fora, se me virem pulando corda, vão achar que a velha está doida”, dizia.

Outra paixão da torcedora rubro-negra era ler revista de horóscopo e a Bíblia, sempre aberta na mesa de cabeceira perto da cama.  Mesmo analfabeta, tendo “estudado umas letras” no Mobral - Movimento Brasileiro de Alfabetização instituído em 1967 durante a Ditadura Militar -  já com mais de 40 anos, Dona Maria dizia que “sapecava” algumas coisas, apesar da dificuldade. “Sei o “o” porque tem no fundo da xícara. Ainda leio alguma coisinha na minha Bíblia, que fica na minha mesa aberta o tempo todo, e minha revista de horóscopo, que eu amo. Sou uma aquariana verdadeira, porque a gente é forte e nunca desiste”, relatou. 

É assim que Dona Maria caminhou, seguiu a vida, inclusive compartilhando o segredo que, para ela, era a fórmula da longevidade: nunca desejar mal à ninguém, nem ao próprio inimigo. “Só tome conta da sua vida”, aconselhava. Para quem teve uma vida de batalhas - vencidas -, Dona Maria também não tinha medo da morte.

"Quando eu morrer quero sair do Sport, ir em um caminhão do carro dos Bombeiros, passar pelo Palácio do Governo até chegar no cemitério. E quero ser enterrada na frente do cemitério, não é atrás não. Porque quando o negro morre, enterram lá no fundo. E eu tenho muito orgulho da minha cor. Eu vou quando Deus quiser, mas sei que ele não quer que eu vá agora, disso eu tenho certeza", garante. E com a experiência inerente aos seus 98 anos, Dona Maria escolheu aproveitar o presente. "O momento mais marcante da minha vida é estar viva." 

SÓCIA BENEMÉRITA

Em 2019, ela recebeu uma homenagem mais do que justa. O Conselho Deliberativo do Sport concedeu à ela o título de Sócia Benemérita, maior comenda do clube.

DESPEDIDA

Na ocasião de seu falecimento, o Sport decretou luto de três dias em homenagem à torcedora. O velório  aconteceu na sede do Clube e o sepultamento, no Cemitério de Santo Amaro.


Com informações da Globo.com, Diario de Pernambuco e TV Sport

Sinônimo de sucesso da moda e do comércio varejista desde os anos 80, as lojas Bain Douche foram responsáveis por vários comerciais impactantes, principalmente, à época de seu lançamento.

Para uns, eram o máximo, e para outros, um absurdo. O primeiro deles foi o slogan “Uma loja da porra”, estampado ainda na década de 80 pelos outdoors de Natal, onde a empresa foi criada e, no Recife. 

“A Bain Douche já nasceu ousada, destaca José Ivan Fernandes, que era um dos diretores da Briza Propaganda, agência que trabalhava a conta publicitária da marca nos anos 80/90 e que foi responsável pela criação do slogan “Bain douche, Uma Loja da Porra“, que deu muito o que falar no âmbito da então conservadora sociedade daquelas décadas.

O slogan fez sucesso na época e a gente usava como mídia para atingir o publico mais jovem no rodapé da coluna de Jota Oliveira, na Tribuna do Norte, (um dos mais jornais mais conhecidos do Rio Grande do Norte) onde fazíamos uma espécie de coluna paralela. Ele foi trabalhado como um elo de aproximação com a juventude, pois era gíria na época, sem sentido pejorativo", lembra, Fernandes.

George Ramalho, empresário e proprietário da marca, lembra que o impacto maior foi na capital pernambucana, onde a sociedade mais conservadora criticou severamente o uso de um “palavrão” numa peça publicitária. 

“Alguns elogiavam, outros criticavam fortemente. De todo modo, a repercussão foi positiva, pois a loja ficou conhecida em Recife, onde acabávamos de abrir as portas e a estratégia se reverteu em vendas”, avalia, Ramalho.

Essa campanha também ganhou espaço na imprensa e apareceu na primeira página dos principais jornais de Pernambuco, além de ter conquistado meia página do jornal carioca O Globo. 

Mais tarde, no início dos anos 90, o lançamento de uma calça jeans deu o que falar após serem instalados outdoors com a foto de uma mulher fechando o zíper e a frase “Uma roupa para você gozar dentro”. 

Coincidentemente, no mesmo momento, acontecia, no Recife, um congresso de regulamentação de propaganda de rua, ocasião em que o primeiro palestrante usou o comercial da Bain Douche como exemplo.

A abordagem gerou polêmica e todos os jornais falaram sobre o assunto durante dias, até que a secretária de meio ambiente da cidade pediu a George para retirar o comercial dos outdoors. Ela não tinha poder para isso, mas confessou ao empresário que se sentia incomodada com a campanha, ainda mais, depois de sua filha adolescente achar que a mulher em destaque estava com a mão dentro da calça – o que despertava mil e uma interpretações. 

Para evitar desconfortos, George acatou a solicitação e dois dias depois substituiu o outdoor por outro com a mesma imagem, mas sem a frase. Contudo, o efeito era o mesmo em todas as pessoas, que já associavam a foto às palavras antes impressas. Tal atitude rendeu mais espaço na imprensa e prolongou a polêmica por mais uma semana.

“Havia clientes que externavam o descontentamento com o comercial, mas não deixavam de comprar por isso”, lembra George, que ainda coleciona histórias de outras campanhas na época desenvolvidas pelo publicitário Alexandre Macedo, da antiga agência Brisa. Ele admite que se arrependeu de uma delas, criada durante as eleições presidenciais de 1989, que manifestava apoio ao candidato Fernando Collor na frase “Bain Douche, collorindo você”.

A Bain Douche já teve até coluna social na Tribuna do Norte (RN), um dos principais da capital potiguar, na qual todos os domingos eram publicadas fotos e notas sobre as clientes da loja.

Outro case de sucesso da empresa foi “o louco da Bain Douche”, que durante um ano e meio divertia os ouvintes das rádios de Natal e Recife. 

Nos comerciais, ele ligava para as mulheres que vestiam Bain Douche e elogiava a beleza delas naquelas roupas. No entanto, um dia apareceu um louco de verdade que começou a ligar para as vendedoras da loja em Recife e as ameaçava de morte. “Ele incorporou o personagem de forma agressiva, por isso nos vimos obrigados a retirar o comercial do ar”, diz George, que com ajuda da polícia, descobriu quem era o homem, esquizofrênico, em tratamento.

Hoje, com mais de 39 anos de mercado, a Bain Douche ainda atua no ramo de moda feminina, com loja no bairro do Espinheiro, na Zona Norte do Recife.

Com informações de Marina Gadelha( Revista BZZZ) e do Blog do FM

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