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Os Traques de Massa do Estagiário Social #06



É Pipoco estreia na TV. Só na TV.

Eu juro que queria comentar bem sobre o É Pipoco, programa que estreou sábado na Globo Nordeste, mas preciso começar a crítica por um ponto que incomodou a mim e a muita gente. A atração conta em seu cast com nomes fortes da internet, um monte de influenciadores digitais que tem um público grande nas redes. Então porque c@r4lh1nh0s o programa não foi disponibilizado na internet assim que terminou na TV? Colocaram a tarja “Disponível na Globo Play” no encerramento, mas até a noite da terça-feira, momento em que escrevo esta coluna, não estava lá. Resultado: teve zero repercussão na internet depois que passou o frisson da estreia.


Tá, mas fala do programa

Disclaimer: se você não viu, pule para a próxima notícia. Aqui vai ser uma dissecação de cada um dos quadros na ordem em que foram exibidos.

É Pipoco vem na esteira do sucesso do projeto Capital do Brega, que rendeu ótimo$ elogio$ para a Globo Nordeste. A direção decidiu dobrar a aposta no programa popular e criou esse Frankstein (sem tom pejorativo, por favor) com um monte de atrações em quarenta minutos de tela. A intenção foi boa, mas é um risco enorme tentar fazer um bolo com muitos ingredientes.

A Ilha de Deus como cenário do primeiro dos quatro programas desta temporada deixa clara a intenção de ser popular. Achei acertada a escolha. É uma localidade um tanto negligenciada e até desconhecida de boa parte dos recifenses, foi ótimo para mostrar que tem um local de vida pulsante e com cenários bem legais na nossa cidade.

Nas atrações musicais, fiquei impressionado como Priscila Senna tá gata! Que lapa de raba, viu mulé? Na apresentação dela, percebi que o palco era muito grande, muito largo, afastando as atrações do público. A Musa ficou isolada, sabe? Sozinha num espaço enorme, ficou estranho.

Aí, durante a entrevista com Priscila... pêi! Do nada um corte – que ninguém gostou – para entrar o Plantão Ordinário. Juro que pensei se tratar de um erro de edição. Acho que os apresentadores poderiam dar a deixa, e não simplesmente fazer o transição na tora. Quanto às piadas, nada que me fizesse esbossar sorissas, mas adequadas para o público de TV (cof, cof, cof...). Gostei foi das ilustrações utilizadas, bem legais.

O DJ Bregoso fica no palco e recebe o crédito de apresentador. Mas gente... menos, né? Pode ser assistente. Visivelmente decoreba de texto, pode ser que melhore. Mas a participação dele na tela é muito pequena então não se perde muita coisa se ele continuar seguindo o script.

É ele quem fica colocando a música, então só teve brega funk. A moda do passinho tá demorando, né? Nada contra, só constatação. Mas é dose acompanhar o programa todinho com aquele som de ferro batendo na latinha atazanando o juízo. Gente... deixa só na abertura e encerramento que tá bom. Até rolou um frevo e maracatu, mas assim que acabou meteram um brega funk. Melhor mudar o nome do programa pra “É Passinho”.

Agora uma modinha que já passou (teve o auge durante uma semana em 2018, o que significa uma eternidade no relógio da internet) é essa do teile e zaga. A Globo parece aquela tia do face que descobriu agora os memes de 2012! A edição foi quem salvou a participação da locutora que eu esqueci o nome “cobrindo” as baladas. Tenho a impressão de que ela entrevistou artistas e eles não foram creditados. Posso estar enganado, mas é que foi muito rápido. No entanto, é um quadro que pode evoluir e emplacar.

Quanto aos apresentadores, faltou química entre a dupla. Beto Café tem muita energia e achei ele um tanto contido. Já Isadora tá muito zen, afável nas entrevistas, sem aquele punch que um programa de entretenimento pede para um sábado à tarde. Talvez um só pudesse resolver. A gente queria um programa ligado nos 220v e passaram ele num transformador para 110 para seguir o tão famoso Padrão Globo.

Agora prestem atenção: com todo respeito à Nega do Babado, mas ela cantar duas músicas e Priscila Sena só uma é inadmissível. Simplesmente não dá para entender! A diferença na carreira, na produção musical, nos hits, no momento e na participação ao vivo é visível. As duas mereciam no mínimo duas músicas e ainda seria injusto.

Legal dar oportunidade para grupos das comunidades se apresentarem. Teve um grupo de (olha só que surpresa) passinho de brega funk e outro de maracatu/frevo, além da entrevista com uma senhora que é artista da Ilha de Deus. Mas muito superficial, limitado pelo tempo.

Ah, o problema é tempo? Dá pra ganhar um pouco se tirar esse quadro dos Players. Tá muito, muito, muito artificial e deslocado. Parece um outro programa dentro de um programa. Ainda por cima a galera lendo o TP com cuidado para não errar. Frio e morgado, desculpa. Pode tirar que não faz falta. E veio falar de k-pop na estreia, no seu cartão de visita? Não entendi. O público de TV também não. Deixa eles na internet, lá vão continuar tendo likes e views.

Do ponto baixo para o ponto alto do programa: a entrevista com os Titãs no quadro Bora dar um Rolê?. Ali sim eu me prendi na telinha. Tava até com vontade de fazer xixi, mas me segurei pra ver (deveria ter feito na hora dos Players). Se colocassem mais efeitos de som e imagens de arquivo na entrevista ficaria perfeito. Poderiam também aproveitar que estão de carro e abordar sobre a relação dos convidados com o Recife, pedir que falassem sobre alguns pontos, trazer mais para a cidade. Do jeito que foi feito, o fato de estarem em um carro não foi explicado e ficou sem propósito. “Bora dar um Rolê?” “Tá, vamo. Mas para quê? Tão indo pra onde, tão vendo o quê na rua?” Ah, e não precisava pegar um carro de sete lugares pra levar só dois passageiros, né? Kkkkkkk

É tanta atração em tão pouco tempo que não entraram as dicas de moda e de cinema, acho que os quadros se revezam. Pelo jeito o Frankstein precisou deixar alguns pedaços de fora porque a roupa era pequena.

A audiência foi boa. De cada dez TVs ligadas no Grande Recife no horário da exibição, quatro estavam vendo o É Pipoco. Teve média de 15,7 no Ibope, três pontos acima da média que a Globo alcançava no horário. No twitter, chegou a ser o assunto mais comentado no Recife durante a sua exibição. Ou seja, se corrigir alguns pontos, tem tudo para melhorar ainda mais a aceitação do público e se consolidar.


Larissa Pereira no Jornal Nacional

Lembram de Larissa Pereira, que passou pela Globo Nordeste? Pronto, ela foi para a TV Cabo Branco, em João Pessoa, e esteve entre os selecionados para assumir a bancada do Jornal Nacional na comemoração dos 50 anos do programa. Ela apresentou no último sábado e foi um sucesso! O sotaque nordestino (com uma leve valorização? Será?) foi a cereja do bolo. Larissa estava segura, não se incomodou com um erro de corte de câmera e ainda encerrou dizendo que era “Paraíba com muito orgulho”. Adorei! Aposto que todo mundo do Nordeste vibrou.


Lê o texto, Aderval!

Olhe, eu morri de rir com o VT da TV Tribuna sobre o Novembro Azul, falando da prevenção ao câncer de próstata! Chamaram Aderval Barros, Artur Tigre e Moab Augusto para fazer a gravação e se você reparar bem, Aderval tá olhando quase para o pé do cinegrafista e lendo o texto com uma atenção danada! Hahahahaha Lembrei dos horários políticos de antigamente.


Luto no jornalismo

O jornalista Inaldo Sampaio faleceu na madrugada da segunda-feira aos 64 anos. Ele lutava contra um câncer, teve uma parada cardíaca, chegou a ser reanimado pelos médicos do Hospital Português, mas não resistiu. Deixa uma esposa, dois filhos e um neto. Inaldo era um profundo conhecedor dos bastidores da política pernambucana, até daqueles municípios que a gente quase não tem notícia. Passou pelos três jornais do Recife, mantinha um blog e era comentarista da rádio CBN. Meus sentimentos à família de Inaldo.

Ufa! Por hoje é só! Até semana que vem.

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